Marcação a mercado é o registro dos ativos da carteira pelo valor pelo qual poderiam ser negociados na data de referência — e não pelo custo de aquisição nem pela rentabilidade contratada. É a regra geral de precificação dos fundos brasileiros. A marcação na curva (apropriação do rendimento pactuado até o vencimento) é exceção, admitida em hipóteses restritas de intenção e capacidade de manter o ativo até o vencimento.
Escopo
Alcança todos os ativos da carteira; a técnica varia com a existência de mercado ativo.
- Ativos com mercado ativo: preço observável do dia, com as fontes e os critérios de fallback descritos no manual de precificação do administrador.
- Ativos sem mercado ativo: modelo de avaliação com dados observáveis sempre que possível, na hierarquia de valor justo do CPC 46; em último nível, premissas próprias, documentadas.
- Participações societárias em FIP: avaliação a valor justo apoiada em laudo e nas regras contábeis da Instrução CVM 579.
- Carteiras de recebíveis em FIDC: precificação sensível a inadimplência, pré-pagamento e provisão para perdas, além do valor presente dos fluxos.
- Exceção da curva: possível em situações delimitadas pelo manual e pela regulamentação — não é escolha livre do gestor para suavizar volatilidade.
Consequência operacional
- Manual de precificação é documento vivo: metodologia, fontes, hierarquia de preços e tratamento de exceções precisam estar escritos, aplicados de forma consistente e disponíveis para exame.
- Consistência entre fundos: aplicar critério diferente ao mesmo ativo em fundos distintos da mesma casa é achado clássico de supervisão e de autorregulação.
- Efeito direto no nav: a marcação determina o valor da cota e, por consequência, a base de taxas, de conversão e de tributação em resgates.
- Ativo em estresse: suspensão de negociação, evento de crédito ou reestruturação exigem reavaliação tempestiva — manter o preço anterior por inércia é o erro mais grave da rotina.
Erros comuns
- Marcar na curva para reduzir volatilidade aparente: distorce a cota e transfere valor entre quem entra e quem sai.
- Tratar o preço de referência como automático: quando a fonte primária falha, o manual precisa dizer qual é a próxima — e essa decisão não pode ser improvisada no dia.
- Confundir valor justo com valor de liquidação forçada: são hipóteses de mensuração distintas.
- Deixar ativo ilíquido sem reavaliação periódica: a ausência de negócio não autoriza congelar o preço.
Relação com outras notas
- O que ela alimenta: nav, cota.
- Insumo para ativos sem mercado: laudo-de-avaliacao.
- Quem testa a metodologia: auditor-independente.
- Base contábil de valor justo: CPC 46.