A Resolução CVM nº 30, de 11 de maio de 2021, é a norma que disciplina o dever de verificação da adequação dos produtos, serviços e operações ao perfil do cliente — o que o mercado chama de suitability. Substituiu a Instrução CVM 539 e concentra, num só texto, tanto o processo de análise de perfil quanto as definições de investidor qualificado e investidor profissional que organizam o acesso a produtos no mercado brasileiro.

Escopo

A norma alcança quem recomenda e quem distribui produtos de investimento a clientes.

  • Dever de adequação: antes de recomendar produto, serviço ou operação, o intermediário precisa verificar se ele é compatível com os objetivos, a situação financeira e o conhecimento do cliente.
  • Vedações centrais: é vedado recomendar produto inadequado, deixar de verificar o perfil e recomendar quando as informações do cliente não estão atualizadas.
  • Investidor profissional: instituições do sistema financeiro, seguradoras, entidades de previdência, não residentes, profissionais autorizados quanto a recursos próprios, e quem tem mais de R$ 10 milhões em aplicações financeiras mediante atestação escrita.
  • Investidor qualificado: todos os profissionais, quem tem mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras com atestação escrita, e portadores de certificações aprovadas pela CVM.
  • Dispensas: o dever de verificação não se aplica ao investidor profissional, a pessoas jurídicas de direito público e a quem mantém carteira administrada de forma discricionária por administrador autorizado.
  • Operação desenquadrada: havendo insistência do cliente em produto inadequado, exige-se alerta formal e declaração de ciência antes da execução.

Consequência operacional

  • Questionário com prazo de validade: o perfil precisa ser reavaliado periodicamente; recomendação apoiada em análise vencida é descumprimento autônomo.
  • Trilha de evidência: questionário, resultado, data, alertas emitidos e declarações de ciência compõem o dossiê examinado em supervisão.
  • Granularidade pós-175: com a segmentação em classes e subclasses de público-alvo distinto, o enquadramento deixou de ser por produto e passou a ser por subclasse no ponto de venda.
  • Camada de autorregulação: para aderentes, o Código ANBIMA de Distribuição soma requisitos de governança, material publicitário e treinamento ao piso da norma.

Erros comuns

  • Dispensar o dever para investidor qualificado: a dispensa alcança o profissional; o qualificado continua sujeito à verificação.
  • Enquadrar por patrimônio total: o critério das duas categorias é aplicações financeiras, não patrimônio com imóveis e participações.
  • Tratar a declaração de ciência como convalidação: ela documenta o alerta, não torna adequada a recomendação inadequada.
  • Confundir suitability com kyc: finalidades distintas — adequação do produto versus identificação e risco de lavagem.

Relação com outras notas